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Artigo #16

OS DILEMAS DE UM LÍDER #16 - Como transformar seguidores em líderes?

Artigo #16
Liderança Carreira Desafios Gestão Organizações 15.06.2023

No modelo tradicional de gestão é bastante comum que se enalteçam os bons gestores também pela sua capacidade de desenvolverem seguidores. Perfil esse ainda muito apreciado em estruturas hierárquicas que valorizam o modelo de comando e controle. Como consequência, hoje, temos um maior exército de bons seguidores do que de líderes em nossas organizações, criando um novo dilema para a liderança moderna. Como transformar essas pessoas treinadas durante décadas sob o paradigma de seguir e cumprir ordens em pessoas empoderadas e engajadas em entregar o seu melhor potencial?

Durante muitos anos da minha atuação como líder, também reproduzi esse modelo disseminado em muitos livros de gestão do século passado, ou seja, o da figura do líder herói. Que possui como fundamento básico a mentalidade de que há líderes e há seguidores. De que existe quem saiba todas as respostas e caminhos e outros que seguem ou executam essas orientações. Somente depois de me libertar dessa forma de pensar que consegui agir e proporcionar um melhor caminho para o desenvolvimento das pessoas que, diretamente, interagem comigo. A mentalidade do líder que desenvolve outros líderes ao invés de seguidores.

Dois livros foram fundamentais na minha jornada de autodesenvolvimento nesse dilema: 1 - O Líder Criador de Líderes de Ram Charam (2008); 2 - Mude de Direção (Turn the Ship Around) de David Marquet (2013). Este último, conta em detalhes uma história verídica do ex-capitão David Marquet que transforma radicalmente a performance da tripulação do submarino nuclear americano Santa Fe. Deixando de ser o pior desempenho da frota naval americana da época para o melhor desempenho. Conta em detalhes como a mentalidade de uma tripulação habituada a fazer tudo o que lhes era ordenado (como seguidores), mudou para a de uma tribulação empoderada e engajada a entregar o seu melhor potencial individual e coletivo (como líderes).

Considerando essas duas excelentes leituras e a minha jornada de autodesenvolvimento no tema, compartilho nos próximos parágrafos quatro recomendações para lhe ajudar a encarar esse dilema:

1 - Ninguém desenvolve líderes não sendo antes de tudo um líder - Existe um processo de autoconhecimento, seguido de revisões profundas de sua forma de pensar e atuar que deve ser priorizado antes de tudo! Ram Charan, no livro mencionado anteriormente, fala em oportunizar saltos quânticos de desenvolvimento para criação de novos líderes. Imagina agora, como você irá fazer isto se durante a sua carreira ou movimentos de crescimento isto tenha ocorrido apenas de forma linear e convencional? Com certeza, você estará menos apto a desafiar, desenvolver e apoiar os membros de sua equipe a fazerem movimentos similares, caso no pratique antes.

Ninguém desenvolve líderes não sendo antes de tudo um líder.

2 - Transforme a sua forma de delegar e desafiar o desempenho individual e coletivo - O desenvolvimento de novos líderes requer trabalhar em ambientes de maior empoderamento e confiança. Venho sendo até mesmo repetitivo em minhas últimas publicações sobre o tema, mas não tem jeito de ser diferente! O seu papel será o de priorizar mecanismos para aumentar a maturidade e estatura executiva de seu time, atuando nos bastidores com o objetivo de criar uma rede de apoio caso algo não aconteça conforme o previsto por eles.

3 - Lembre da máxima: seja para os outros o líder que você gostaria de ter! - Somente com esse nível de consciência, vulnerabilidade você conseguirá ver as demais oportunidades no dia-a-dia que irão mudar a sua forma de atuar e dos membros de sua equipe. Provoque-se todos os dias a eliminar ou se desapegar de tudo o que você aprendeu e ainda o faz operar no modelo de atuação líder-seguidor. A sua mudança irá inspirar e influenciar a criação de um novo ambiente de trocas e, principalmente, de confiança.

4 - Desconstrua a zona de conforto dos seguidores - Conforme o ex-capitão David Marquet, pessoas que são tratadas como seguidores, tem as expectativas de seguidores e agem como seguidores. Como seguidores eles têm autoridade limitada para a tomada de decisões e pouco incentivo para dar o máximo do seu intelecto, de sua energia e paixão. Aqueles que recebem ordens normalmente fazem metade do que poderiam, subutilizando a sua imaginação e iniciativa. Comece a não mais entregar aos membros de sua equipe o que eles habitualmente esperam.

Entregue aos membros de sua equipe desafios e não decisões.

Deixe a eles a responsabilidade pelas decisões. Se for alguma decisão que possa gerar maior impacto na organização, no mínimo, construa e trabalhe junto a eles a mesma. Faça com que os membros de sua equipe passem a confiar mais neles mesmos, pois isto irá os engajá-los no processo de trabalho e irá contribuir para que a organização seja administrada da maneira mais eficiente possível.

Enfim, para você desenvolver mais líderes e menos seguidores precisa aceitar, antes de tudo, uma nova crença, a de que todos podemos ser líderes, e de fato, é melhor quando todos somos. A liderança não é apenas um tom ou uma qualidade mística que alguns tem e outros não. E você pensando e agindo dessa forma ajudará a criar estruturas de liderança significativamente mais resilientes, duradouras e dissociadas da personalidade e presença do líder, pense nisto!

Resumo das dicas sobre o dilema:

1 - Ninguém desenvolve líderes não sendo antes de tudo um líder!

2 - Transforme a sua forma de delegar e desafiar o desempenho individual e coletivo;

3 - Seja para os outros o líder que você gostaria de ter!

4 - Desconstrua a zona de conforto dos seguidores. Entregue aos membros de sua equipe desafios e não decisões.

Daniel Martin Ely

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