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Desapego aos modelos de gestão do século passado!

#01 - Inicie pelo desapego aos modelos de gestão do século passado!

Desapego aos modelos de gestão do século passado!
Transformação Inovação Organizações Mindset Liderança Carreira Digital Estratégia 01.10.2020

Vivemos na economia da era digital, do pensamento não linear, da inovação não apenas incremental, dos novos modelos de negócio e das novas formas de trabalho. Somos desafiados, individualmente, e em nossas organizações a uma nova forma de pensar e agir todos os dias. Muitos de nós trabalhamos em organizações que não nasceram nesse novo contexto. Pelo contrário, são organizações da dita “velha economia”. Foram nelas que nós nos desenvolvemos e aprendemos tudo o que somos hoje. São várias décadas de treinamento e condicionamento a um modelo que já está muito próximo de seu esgotamento. Se já sabemos disso, a pergunta que fica é: por que insistimos em continuar operando dessa forma? Por que muitas organizações não conseguem fazer essa mudança enquanto outras (com o mesmo ponto de partida) o fazem?

Por que a minha organização não está conseguindo avançar?

Essa é uma pergunta recorrente que eu recebo em todos os ambientes onde tenho circulado. Desde as empresas mais jovens, com mais de uma década de existência, até as já centenárias. Entretanto, junto a profissionais de startups e empresas já criadas ao longo dessa última década a pergunta é totalmente diferente. Reiteradamente ouço perguntas do tipo: quando essas empresas maiores e mais tradicionais irão, realmente, despertar para o que está acontecendo? Como conseguirão se adequar às características de um contexto de mundo, tecnologias e mercado totalmente diferentes do que foram acostumadas a dar conta? Até quando insistirão em tentar fazer essa adequação ao novo utilizando as mesmas ferramentas e modelos de gestão do século passado?

Na minha opinião, temos quatro motivos para estarmos vivendo esse período de tantas incertezas junto a essas organizações, que aqui chamarei de “mais tradicionais”.

1 - Não existe um novo modelo já validado para substituir o anterior já esgotado

Primeiramente, podemos dizer que é a falta de um modelo concreto de gestão que nos traga todas as seguranças de que estamos migrando para algo melhor. Algo que nos trará mais benefícios do que perdas em relação a tudo o que já conquistamos. Um modelo que, minimamente, garanta os resultados de sucesso obtidos ao longo das últimas décadas.

2 – Não existirá um modelo único de sucesso, tal qual existia no século passado

Segundo ponto: mesmo que já existisse um novo modelo para nos agarrarmos, esse estaria disponível na forma de partes ou peças de um grande quebra-cabeça, que ainda precisaria ser montado. Pois é, o fato é que esse novo modelo ainda não existe! Talvez, nunca exista de forma tão bem estruturada como anteriormente. Talvez, não venha a existir apenas um modelo, mas vários que possam adaptar-se a cada situação ou a cada desafio de determinado segmento ou tecnologia.  

3 – Os líderes que irão orquestrar essa transformação, em sua maioria, não sabem como fazê-la

O terceiro fator é que na maior parte das organizações de sucesso da dita velha economia, as pessoas que estão sendo desafiadas a liderarem e a orquestrarem essa mudança, são pessoas que ainda não sabem como fazê-la. Porém, isso não seria um problema se estas estivessem abertas a compreender e aprender sobre novas abordagens e modelos de gestão. Afinal de contas, até o momento, quase ninguém sabe como construir esse novo modelo de gestão. Nem mesmo os mais jovens ou as novas gerações sabem como montar esse novo quebra-cabeça. A questão chave, então, está na capacidade dessas lideranças em reconhecerem que precisam se reinventar para, assim, orquestrarem e apoiarem a reinvenção de suas próprias organizações.

4 – A maior parte dos líderes atuais são os que têm mais a perder com a mudança

Por fim, a decisão de destravar esse processo, na maior parte das organizações tradicionais, ainda está nas mãos de pessoas que, muito provavelmente, não irão liderar essas organizações nos próximos anos e décadas. As quais, inclusive, possuem mais perdas do que ganhos com a mudança e que continuam aplicando velhas soluções para novos problemas. Além de não validarem a necessidade desta nova realidade.

Eu sempre digo que, de alguma forma, as grandes empresas por terem muito acesso a recursos e conhecimento, encontrarão formas de evoluir e avançar, ainda que de forma atrasada. As organizações já criadas nessa nova economia nasceram sabendo que os desafios são outros. Contudo, o perfil predominante de empresas no Brasil é de micro, pequenas e de médias empresas.  Destas, grande parte são empresas familiares, nas quais essa decisão terá que partir do próprio empreendedor ou dono do negócio.

Um novo e verdadeiro legado

O nosso principal desafio, enquanto jovens e verdadeiros líderes, será o de ajudar nossas empresas tradicionais e bem-sucedidas em seus negócios, minimamente, a dobrarem seu tempo de vida.  Ou seja, precisamos respeitar seus legados e não deixarmos a história construída até aqui morrer. Nessa perspectiva, fazer as mudanças e ajustes de rota é, prioritariamente, uma forma de respeito e de valorização do que veio antes. Esse, portanto, será o legado que deixaremos aos que irão nos suceder, às próximas gerações. Enfim, mudar, transformar e ressignificar antigos conceitos para perpetuar nossas organizações é a melhor forma de respeito ao passado!

Será necessária coragem para isso? Sim, e muita! Mas, muito mais do que coragem, precisaremos de clareza de propósito e de determinação, para que possamos fazer essa jornada de uma forma totalmente distinta do que aprendemos e do que fizemos até agora! Acompanhe os próximos artigos e juntos começaremos a montar esse quebra cabeça, ao menos, tentaremos fazê-lo!!

Se você gostou, entre no canal Reflexões e Conexões no YouTube (link abaixo) e assista a um vídeo com dicas e informações complementares sobre este artigo da série!

 

Série Especial - Como realizar a transformação digital em organizações tradicionais?

Com foco nesse tema, convido a todos para acompanhar essa série de 10 artigos autorais, que poderão servir de apoio e alento a você, que quer ajudar ou até mesmo liderar essa mudança em sua organização. A ideia é compartilhar experiências e instigar discussões sobre esse assunto tão presente. Lembrando que não existe uma única verdade, tampouco, certo ou errado nessa jornada. Existem apenas coisas que estão funcionando melhor ou pior nesse novo contexto. Seriam alguns fragmentos de um possível “como” iniciar essa jornada de transformação, explorando algumas peças desse quebra cabeça. Porém, cada um deverá identificar quais peças possui, ou não, para montar o seu!

Sobre o autor:

Daniel M. Ely é CTO - Chief Transformation Officer das Empresas Randon. Conceito novo nos mercados nacional e internacional, o profissional é responsável por liderar o processo de transformação da empresa, acelerando a mudança da cultura organizacional, a partir de uma nova mentalidade de atuação e postura das equipes, além de impulsionar a adoção de novas e mais inovadoras tecnologias que apoiem essa transformação. Daniel M. Ely é mestre em Estratégias Organizacionais e possui especialização pela Universidade de Kellogg e Singularity. Em âmbito estadual, é coordenador do CITEC – Conselho de Inovação e Tecnologia da FIERGS e membro do Conselho Consultivo do Inova RS. Além disso, é um dos idealizadores e atual presidente do Instituto Hélice - Inovação Colaborativa e do Instituto UniTEA – Unidos pelo Autismo.

Edição e revisão: Raquel Ely

 

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