Estrutura Organizacional
A arquitetura organizacional precisa ser redesenhada
As estruturas pesadas e tradicionais, de comando e controle, onde eu aprendi a operar, têm uma razão de ser. Elas oferecem uma alta capacidade de execução. Já no contexto complexo em que nos encontramos, que exige um nível de inovação mais transformacional do que apenas incremental, o modelo em redes funciona melhor. A hierarquia deixa de ser o mais relevante, o que vai prevalecer será a competência de cada um para a entrega do desafio comum.
Uma vez que as estruturas hierárquicas e verticais têm maior capacidade de execução, enquanto as horizontais são mais propensas à inovação, o melhor é conviver com as duas, abrindo mão de cada uma quando for conveniente. É preciso continuar utilizando a capacidade de execução das estruturas verticais, mas também somar a operação em redes, que permite uma maior inovação, principalmente em empresas mais tradicionais.
Num primeiro momento, a minha sugestão é reorganizar o modelo vigente. Ao fazer uma análise das estruturas organizacionais, encontramos sistemas totalmente sob comando e controle, operações já descentralizadas e as que funcionam em redes distribuídas. Em comum, elas possuem a mesma quantidade de recursos financeiros e de pessoas, o que difere é a sua organização.
Na centralizada, tudo passa por um ponto focal, dentro da lógica da escassez, onde o poder está em dar as respostas, existe um detentor do conhecimento. Esse modelo funciona em muitas empresas, elas são lucrativas, mas, via de regra, acabam sendo engessadas e não valorizando a diversidade.
A operação descentralizada já é uma evolução, ainda conta com um ponto central de comando e controle, mas já existem diversas outras instâncias para a tomada de decisões. Esse é o modelo ainda predominante nas organizações tradicionais, mas continua dentro do comando e controle.
No terceiro modelo, o de redes distribuídas, quase todos os pontos se conectam mutuamente, promovendo a troca de conhecimentos. Quando eu recomendo a reorganização da estrutura, sugiro descentralizar, se ainda for centralizada. Ou, se já descentralizada, partir gradualmente para um sistema híbrido, incorporando ações em redes, para não entrar em confrontação direta com o modelo vigente. E, quando possível, migrar totalmente para a operação em redes.
As novas gerações já estão deixando claro que não vão mais operar em modelos de comando e controle, pois buscam outra relação de trabalho e de empoderamento.
Por um bom tempo, as organizações, principalmente as mais tradicionais, ainda vão conviver com os dois modelos. Por isso, falamos tanto em transformar os gestores, acostumados a estruturas hierárquicas, em verdadeiros líderes, que desenvolvem as competências necessárias para administrar essa dualidade. Ora se sentam em posições hierárquicas, ora operam em redes!
Daniel M. Ely
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