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Artigos Daniel Ely

Troque suas certezas por suas vulnerabilidades!

Liberte-se das suas certezas: troque-as por suas vulnerabilidades!

Troque suas certezas por suas vulnerabilidades!
Liderança Desafios Gestão Mindset 12.06.2020

Toda a certeza nos torna frágil

 

Faz parte das minhas principais atividades profissionais o desafio de liderar e orquestrar processos para transformação organizacional, seja em ambientes privados ou sem fins lucrativos. Vejo, diariamente, nas “certezas” explicitadas por executivos e profissionais algumas das principais barreiras para qualquer transformação. Somos desafiados todos os dias com o elevado número de “certezas” e, inclusive, faço parte desse grupo. Normal, somos seres humanos. Reafirmamos nossas convicções e experiências por meio de certezas. As mesmas que, independentemente de sua origem, nos tornam frágeis e míopes em relação ao que realmente teria que ser feito.

 

O “novo normal” e as certezas que ficaram para trás

 

Vejamos alguns exemplos: até bem pouco tempo, diríamos que várias questões, hoje, consideradas o “novo normal”, não aconteceriam tão rapidamente. Muito provavelmente levariam alguns anos para se materializar, mas nunca trabalhamos tão conectados, mesmo não dividindo o mesmo espaço físico. O home office rapidamente se transformou no “novo office”. O trabalho flexível seria impossível de materializar-se em um espaço tão curto de tempo nas empresas mais tradicionais. Isso principalmente pelos riscos trabalhistas envolvidos. Contudo, os escritórios, bem como as jornadas fixas do trabalho, se desmaterializaram em poucas horas. Novos escritórios e “turnos de trabalho” surgiram por todos os lados e lares!

Uma das empresas que obteve a maior valorização na pandemia do Covid-19 foi a Zoom, uma plataforma que possibilita reuniões online. Em maio, a empresa valia sozinha o mesmo que as sete maiores companhias de aviação do mundo juntas. Uma das principais e mais conhecidas plataformas de vendas online do Brasil se abriu para receber transações de outras empresas e comércios. Em poucos dias, micro e pequenos comerciantes passaram a vender por meio dessa plataforma. A venda de carros novos em plataformas digitais, ao invés das tradicionais concessionárias, também brotaram em poucas horas em outra plataforma muito referenciada.

Ambientes altamente regulamentados flexibilizaram-se para atender a um novo contexto. Minhas certezas sugerem que ainda teríamos um longo caminho a percorrer para que processos digitais pudessem chegar a esses ambientes considerados mais burocráticos. Nesse período, nove dos estados brasileiros passaram a validar escrituras digitais para a compra e a venda de imóveis sem qualquer necessidade de irmos a algum cartório.

 

Vulnerabilidade, um caminho possível

 

Nesse contexto, potencializamos os nossos resultados quando nos tornamos vulneráveis em nossas certezas. Obviamente, isso exige uma dose de coragem para assumirmos que não somos donos da razão, principalmente quando ocupamos posições mais “altas” nas hierarquias das organizações ou instituições. O medo do erro e da “altura” da queda explicam facilmente o dilema da vulnerabilidade.

Aqueles que tem mais a perder, considerando o velho paradigma das relações de comando e controle, são os que mais tendem a refugiar-se em suas experiências passadas, transformando-as em verdades únicas e absolutas, ou seja, em convicções.

Toda a dúvida ou vulnerabilidade nos fortalece. Estou aprendendo isso de forma intensa nos últimos anos. Aproximadamente 80% das competências que precisei desenvolver de uns tempos para cá, aprendi durante o mesmo período. Não sabia como liderar, ou mesmo lidar, com uma transformação que sabia ser necessária.

Ao longo desses anos, precisei, mais do que responder, saber perguntar. Ser curioso para descobrir e entender o que seria a transformação digital, experimentar o novo e acreditar em resultados diferentes, mesmo sem nenhuma certeza. Além disso, aprender a melhor lidar com as diferenças e com a diversidade na forma de pensar, trabalhar com equipes extremamente jovens e questionadoras e ainda alinhar as minhas experiências passadas às novas crenças e propósitos. Enfim, a minha reinvenção, como pessoa e como profissional, foi mais que necessária!

 

Seja um líder transformador

 

A mola propulsora de tudo isso foi a minha inquietação. A curiosidade por conhecer essa nova economia, realidade do trabalho e dos negócios: coragem para questionar as minhas próprias certezas! E, sempre que possível, deixá-las para trás ou, minimamente, torná-las mais maleáveis, mais abertas ao questionamento, mais frágeis.

Trocar certezas por vulnerabilidade fez aflorar ainda mais a minha curiosidade e o meu instinto questionador. Mais do que isso: libertou-me dos meus próprios medos de atender às expectativas dos outros e da necessidade de dar respostas imediatas. Por outro lado, atiçou-me a fazer mais perguntas quando normalmente eu silenciaria. Libertou-me de reuniões cansativas de acompanhamento com as minhas equipes. Em contrapartida, passei a usar essas oportunidades como forma de empoderá-las e  desafiá-las a fazerem um movimento similar. Para nos tornarmos, juntos, melhores líderes!

 

Revisão e edição Raquel Ely

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