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Não fique rígido em sua experiência

Você já foi disruptivo hoje?

Você já foi disruptivo hoje?

Você já foi disruptivo hoje?
Carreira Liderança Mindset Mudança Desafios 14.07.2019

Vários são os “convites” que recebemos, diariamente, para sermos mais inovadores. Para sermos disruptivos em relação a nossa forma de pensar e de agir. Para provocarmos inovações diferenciadas nos modelos de negócio, produtos e processos de nossas organizações. Para sermos disruptivos, inclusive em nossas carreiras e vida pessoal. Por que essa palavra ganhou tanta notoriedade e uso em nosso dia a dia? O que está acontecendo de diferente que leva a isso? Será que não poderíamos substituir essa pergunta por outra?

Venho observando um grau muito elevado de ansiedade e, até mesmo, em alguns casos, de paralisia das pessoas em relação ao tema. Acho que o assunto merece toda a nossa atenção e cuidado. Porém, vejo a inovação e disrupção como uma resultante. Uma consequência de um processo de dentro para fora, que começa em você como indivíduo e finaliza em você com as suas interações. Obviamente, a tecnologia apenas como um meio e não como a solução.

Ninguém será disruptivo, no sentido literal da palavra, sem analisar novos e velhos problemas de outras perspectivas, sem tornar menos rígida as suas convicções e experiências, sem transformar os novos contextos em novos ciclos de aprendizado e transformação. Tudo isto irá requerer uma enorme capacidade de desaprender velhos conceitos e aprender novos, de se colocar vulnerável ao novo. 

Obviamente, se o assunto está tão presente em nosso cotidiano pessoal, passa pela velocidade de novos cenários que temos que dar conta todos os dias. Venho explorando de forma bastante intensa esse contexto em meus artigos mais recentes. Não quero aqui me deter a eles, mas aproveitar a oportunidade para examinarmos e refletirmos como somos impactados por esses contextos. Por que muitas vezes reagimos com certa apatia e, noutras, conseguimos ser disruptivos em nossa ação? Você já parou para pensar nisto?

 

1. A sua experiência como ponto de partida

 

Incorremos em um grave erro quando tentamos “projetar” soluções para os problemas atuais e futuros a partir da perspectiva de como aprendemos a fazê-lo até agora. Com base, principalmente, no que deu certo em nossas experiências anteriores. Arrisco a dizer que a rigidez em relação a crenças oriundas de experiências individuais e/ou coletivas passadas é, hoje, o seu grande inimigo em relação a como pensar e realizar a disrupção de seus negócios e de seu próprio mindset.

As experiências passadas são importantes e devem ser respeitadas e valorizadas. Porém, não podem ser um entrave. Aprendi com um dos meus mentores de vida que sempre devemos valorizar e respeitar o que veio antes de nós. É uma lei natural da vida, como respeitar pai e mãe, o irmão mais velho. Isso não significa que não podemos questioná-los em relação às suas experiências e formas de agir e pensar. Se somos líderes ou gestores, de também saber que precisamos ser questionados em relação a nossas crenças.

Também não significa, em hipótese alguma, desrespeitar ou ser desrespeitado. Pelo contrário – sempre que isso ocorre, estamos valorizando o legado recebido de “nossos pais”, dando aos temas por eles trazidos uma nova condição de perpetuidade e sustentabilidade.

De forma geral, nossas organizações ainda possuem estruturas bastante hierárquicas, pouco horizontalizadas. O seu medo excessivo de errar – ou não saber como os seus gestores ou equipe irão interpretar e receber as suas novas ideias e, inclusive, questionamentos – pode paralisar uma oportunidade de disrupção do status quo. Essa é uma tendência que percebemos de maneira invertida nas startups, por exemplo. Como elas têm pouco a perder, tendem a apresentar um comportamento mais arrojado, com pouco (ou quase nenhum) medo de errar. Você já parou para pensar: onde está a sua rigidez em relação a determinada situação? Onde existe uma rigidez em relação às suas próprias experiências? É com certeza um processo de autoconhecimento.

 

2. Rompendo o Enlace Reflexivo

 

Há apenas uma forma de romper com esse ciclo vicioso: começando por você essa mudança. Pelo entendimento de quais são, antes de tudo, as suas crenças e experiências que estão cristalizadas. 

Não quero me alongar na discussão desse ponto. Então deixo como recomendação dois outros artigos que escrevi recentemente e poderão te ajudar nesse entendimento. O primeiro deles é um breve resumo de minha dissertação de mestrado sobre os mecanismos de aprendizagem individual e coletiva. Explica por que temos a tendência de repetir experiências e como as nossas crenças geram o que Chris Argyris chamou de Escada de Inferência, que nos faz entrar em um Enlace Reflexivo de onde não conseguimos sair e acabamos sendo prisioneiros de nossas próprias crenças e convicções.

O segundo, que chamei de Liderança – Você já definiu o seu Bobo Sábio?, ajuda o leitor a elaborar uma estratégia de como aumentar sua capacidade de autoconhecimento. No fim, busca responder a pergunta: como saber se você já está rígido ou não em sua experiência? Talvez aqui você precise de alguns Bobos Sábios para ajudar!


3. Novos ciclos de inovação

 

Por que quando nos tornamos avós, de certo modo, “rejuvenescemos”? Deparamo-nos com o novo (neto/neta) e temos uma experiência com os filhos em que sabemos o que deveríamos fazer diferente (dedicar mais tempo aos netos, não ficar tão focado nos compromissos etc.). Aprendemos e desaprendemos coisas em relação à educação dos filhos que nos faz reaprender como lidar com os netos. O momento de vida (contexto) também é outro. De maneira semelhante, as empresas passam por experiências aproximadas. 

Então, não seria desmedido compararmos essa relação em âmbito de mercado, isto é, as startups vêm assim como os netos: ágeis, disruptivos, com um mindset inédito, e podem ser vistas como uma oportunidade às empresas tradicionais (ou avós) reaprenderem, reanalisarem e mudarem antigos comportamentos.

No fundo, estamos falando de novos ciclos de inovação. Uma experiência somada a conexão com o novo gera um novo ciclo de inovação, que nos leva a desaprender e reaprender e, assim, retroalimenta esse processo. Pense na sua rotina: por que você toma o mesmo caminho todos os dias para ir ao trabalho? "É mais rápido", talvez você responda. Mas, ao mesmo tempo, você está se fechando ao novo, às possibilidades, não está dando chance para se conectar com algo diferente. E isso vale para qualquer situação em nossas vidas. Afinal, o que custa sair de casa 10 minutos mais cedo? 

 

4. Desaprender e reaprender

 

Essa etapa de desaprender e reaprender merece uma reflexão especial. Como se desaprende algo? Uma forma é deixando de praticar. Contudo, você já deve ter ouvido que, uma vez aprendido a andar de bicicleta, nunca esquecemos. Em parte é verdade. Mas vou fazer uma provocação. Você já ouviu falar da bicicleta com guidão invertido? Assista ao vídeo e confira: https://www.youtube.com/watch?v=MFzDaBzBlL0

Interessante notar que o próprio criador do projeto levou oito meses para aprender a andar na bicicleta, enquanto que seu filho, de 6 anos, levou apenas duas semanas! E mais: o engenheiro, depois que aprendeu a andar na nova bicicleta, não desaprendeu a andar na tradicional. Podemos chamar esse panorama de "contra-hábito", ou seja, se o hábito é reagir de determinado modo frente a uma situação específica, a solução estaria em praticar exatamente o contrário. Por exemplo, um executivo "se fecha" toda vez que ouve falar de um concorrente direto seu. Aliás, isso é mais comum do que se imagina. Esse executivo, para se livrar desse modelo, precisa começar um "contra-hábito", ou seja, quando ouvir falar de um concorrente, abrir-se, procurar saber mais, buscar conhecer, aproximar-se. Assim, talvez, até surjam situações boas e inesperadas, como uma parceria de negócios. 

 

5. A transformação, efetivamente,  ocorre quando me proponho a revisitar meus comportamentos.

 

Todo esse discurso sobre transformações, na verdade, refere-se às pessoas. As organizações são feitas por pessoas, logo, é somente por meio delas que conseguiremos promover as inovações necessárias à realidade que se apresenta. A experiência acumulada está na soma das competências das pessoas. Essas pessoas, por sua vez, são a influência da mudança dos traços de uma cultura organizacional. Enfim, tratamos de uma mudança que começa pelo autoconhecimento individual e que reverbera no contexto da organização. 

Quando me proponho a revisitar meus comportamentos e competências, na verdade estou me permitindo passar a borracha naquilo que não mais me agrega e liberar espaço para o novo que me aperfeiçoa. A vida é uma constante transformação. Tudo varia a todo instante e é preciso se rever, de tempos em tempos, nesse oceano em que vivemos. Seja um comportamento, seja uma competência, temos que lançar um olhar crítico: isso funciona? Traz resultado? Ou está ultrapassado? De fato, os resultados falam por si. Se queremos resultados diferentes, não podemos seguir agindo da mesma forma. E a disrupção, nesse contexto, é um processo que permite essa segregação entre o obsoleto e o contemporâneo em nós mesmos.

Assim, fica o convite: você já foi disruptivo hoje?

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