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Resgate os seus intraempreendedores e líderes!

#05 – Resgate os seus intraempreendedores e a essência de seus líderes!

Resgate os seus intraempreendedores e líderes!
Transformação Inovação Organizações Mindset Liderança Carreira Digital Estratégia 01.12.2020

Posso afirmar que as pessoas que ajudarão a dar os primeiros passos no processo de transformação cultural e digital da sua empresa já estão, inclusive, dentro dos muros da organização. São eles: 1 - os atuais gestores formais que conseguirem resgatar a essência de sua liderança; 2 – intraempreendedores (nem sempre estão em uma liderança formal); 3 – pessoas de alto potencial e já conectados a este cenário de transformação em todos os níveis da empresa. Vamos, neste artigo, analisar cuidadosamente como você poderia ajudar a sua organização a identificar essas pessoas e, depois, o que fazer para ampliar o espaço de atuação e empoderamento das mesmas. Ressignificar a atuação dos líderes, abrir mais terreno para atuação dos intraempreendedores e identificar, além deles, outras pessoas de alto potencial alinhadas com essa transformação poderá ser um divisor de águas na sua estratégia.

O que existe de comum nessa estratégia

Qualquer estratégia de potencialização de talentos e líderes requer ações e iniciativas que devem ser realizadas no âmbito do indivíduo e outros na própria organização. Mudanças de sistemas, símbolos e rituais organizacionais são, conforme falamos no Artigo #03, imprescindíveis para uma mudança nos traços de qualquer cultura. É, didaticamente, uma mudança 50/50. Requer 50% de esforço e mudança do indivíduo e outros 50% dos processos da Empresa. Obviamente que ao trabalhar a parte que cabe ao indivíduo estaremos também apoiando na transformação da outra metade que cabe à organização. Por se tratarem de formadores de opinião e pessoas de alto impacto nos processos organizacionais, o desenvolvimento dessas pessoas facilitará, e muito, essa mudança como um todo.

1 – Resgate da essência da liderança

Acredito que a transformação cultural e digital de nossas organizações está permitindo o resgate da essência do que sempre foi, ou deveria ser, o ato de liderar. Pegar pela mão, construir pontes entre o propósito individual e o da empresa deveria ser uma das atividades mais importantes de cada gestor. Líderes de alto potencial expandem o potencial das pessoas que com eles trabalham. São também uma espécie de ímã para atração e retenção dos talentos. Inspiram e influenciam inúmeros “movimentos” internos. Criam narrativas que fazem com que as pessoas se identifiquem e engajem-se em um propósito comum.

Neste sentido, precisamos mais de “verdadeiros” líderes do que de bons gestores. A complexidade, agilidade e adaptação aos novos contextos exige uma ação coordenada do uso de todas as inteligências e capacidades disponíveis na organização e fora dela. Estima-se que menos de 30% das pessoas que trabalham em sua empresa estão, realmente, engajadas. Todo o restante do pessoal possui um potencial reprimido a ser liberado. Bons gestores pouco conseguirão fazer neste sentido, caso contrário o cenário já seria outro. Precisaremos de líderes que em sua essência entendam que essa será a sua principal missão dentro da organização.

A maior parte das atividades mais processuais e de gestão que aprendemos no século passado ainda existirão por um tempo, mas não serão mais as de maior relevância e dedicação de tempo. Os líderes serão apoiados e suportados, cada vez mais, por processos mais inteligentes, de menor custo e mais assertivos oriundos das novas tecnologias e processos, que estão sendo revisados nos 50% da Empresa. A pergunta que fica para cada gestor é: o que você faria se, do dia para a noite, a maior parte do seu tempo você não precisasse mais dedicar às atividades de follow-up e controle? Como você aplicaria estas horas para se tornar, realmente, um líder?

2 – Intraempreendedores

Outro público de alto impacto para lhe apoiar na mudança dos traços de cultura de sua empresa são os intraempreendedores. Identificar onde os mesmos estão e conectá-los aos empreendedores externos, por exemplo, de startups ou outras empresas irá acelerar seu processo interno para ressignificar a inovação para todos. Costumo dizer que essa turma já está dentro dos quatro muros de sua empresa. Talvez, fazendo atividades de baixa contribuição e impacto e, em função disso, prestes a saírem de sua organização. Estão só aguardando uma melhor oportunidade para fazer essa mudança. E, aqui, posso afirmar que a oportunidade não é apenas de impacto financeiro nos resultados organizacionais, mas de ambiente de trabalho e espaço para eles poderem criar e implementar as suas ideias.

Lembre-se: antes de sair contratando pessoas de fora de sua empresa para lhe ajudarem em sua jornada de transformação digital, comece dando espaço e oportunidades para os que já trabalham com você!

3 – Pessoas de alto potencial

Repetidas pesquisas e estudos demonstram que, aproximadamente, 2% do talento de toda a sua organização têm 98% de impacto nos resultados futuros da mesma. São pessoas de alto potencial e impacto. Não necessariamente são apenas parte dos líderes formais ou os intraempreendedores que descrevemos anteriormente. Cabe a você localizar esse terceiro grupo de pessoas e dar as condições para que elas possam continuar atuando de forma a gerar impactos positivos relevantes em sua organização.

Uma dica: essas pessoas, por vezes, já vêm demonstrando de forma inteligente e construtiva um desconforto muito grande com o status quo da organização. Até mesmo, propondo e implementando mudanças em processos menores, sem aguardar por aprovação de superiores. São pessoas com baixa aderência aos processos e modelos de gestão do século passado, inconformados com a velocidade com que as coisas estão se transformando! Se diferem dos demais que só reclamam, pois na prática estão fazendo e implementando, dentro de suas limitações, mudanças muito significativas.

O que existe de comum entre esses atores?

Primeiramente, a coerência entre o discurso e a prática. Eles constroem redes, se adaptam facilmente ao novo contexto e influenciam movimentos internos, mas não “controlam movimentos”. Por fim, criam um ambiente de segurança psicológica. São encontrados entre as lideranças formais, são necessariamente intraempreendedores, estão espalhados em todas as partes da organização e possuem um alto potencial em algumas das competências e conhecimentos que serão fundamentais na estruturação de toda essa jornada de transformação. Estamos, assim, falando menos da organização enquanto CNPJ e mais de um grupo de alto impacto de CPF’s!

Se você gostou, entre no canal Reflexões e Conexões no YouTube (link abaixo) e assista a um vídeo com dicas e informações complementares sobre este artigo da série!

Sugestões de livros sobre o tema:

Série Especial - Como realizar a transformação digital em organizações tradicionais?

Com foco nesse tema, convido a todos para acompanhar essa série de 10 artigos autorais, que poderão servir de apoio e alento a você, que quer ajudar ou até mesmo liderar essa mudança em sua organização. A ideia é compartilhar experiências e instigar discussões sobre esse assunto tão presente. Lembrando que não existe uma única verdade, tampouco, certo ou errado nessa jornada. Existem apenas coisas que estão funcionando melhor ou pior nesse novo contexto. Seriam alguns fragmentos de um possível “como” iniciar essa jornada de transformação, explorando algumas peças desse quebra cabeça. Porém, cada um deverá identificar quais peças possui, ou não, para montar o seu!

Sobre o autor:

Daniel M. Ely é CTO - Chief Transformation Officer das Empresas Randon. Conceito novo nos mercados nacional e internacional, o profissional é responsável por liderar o processo de transformação da empresa, acelerando a mudança da cultura organizacional, a partir de uma nova mentalidade de atuação e postura das equipes, além de impulsionar a adoção de novas e mais inovadoras tecnologias que apoiem essa transformação. Daniel M. Ely é mestre em Estratégias Organizacionais e possui especialização pela Universidade de Kellogg e Singularity. Em âmbito estadual, é coordenador do CITEC – Conselho de Inovação e Tecnologia da FIERGS e membro do Conselho Consultivo do Inova RS. Além disso, é um dos idealizadores e atual presidente do Instituto Hélice - Inovação Colaborativa e do Instituto UniTEA – Unidos pelo Autismo.

Edição e revisão: Raquel Ely

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