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Ressignifique e democratize a inovação!

#04 – Ressignifique e democratize a inovação para 100% da organização!

Ressignifique e democratize a inovação!
Transformação Inovação Organizações Mindset Liderança Carreira Digital Estratégia 10.11.2020

É sabido que, hoje, a transformação se faz pela soma das partes, ou seja, a conexão entre diferentes atores e suas respectivas competências. Podendo ser do tipo incremental ou disruptiva. Porém, para que ambas possam ocorrer e serem ainda mais aceleradas em organizações tradicionais, precisamos conduzir essa mudança mais sob uma lógica de abundância do que de escassez. Para isso, será preciso ressignificar e democratizar a inovação para 100% dos membros de sua empresa. Tornar o processo mais coletivo e colaborativo. Que necessitará das competências de diversas partes da organização, como também, externas a ela.

Como a nova lógica de abundância impacta na inovação

Aqui reside a principal mudança. Por décadas muitas organizações conseguiram inovar de forma mais incremental ou mesmo disruptiva a partir de seus próprios esforços e recursos. Em alguns casos, os recursos financeiros e de capital, permitiam e facilitavam o acesso a tecnologias maduras e processos já existentes em outras partes do mundo. Entretanto, a questão deixou de ser financeira. A rápida evolução de diversas tecnologias e o respectivo barateamento das mesmas tornaram as barreiras de entrada quase inexistentes. A questão mais relevante passou a ser a capacidade de encontrar, articular e convergir todas essas novas tecnologias em soluções de produtos e serviços totalmente inovadores. Tudo isso de forma muito rápida e realmente alinhada a real necessidade e jornada do cliente.

1 – A inovação disruptiva raramente vem do status quo

O autor Clayton M. Chrystensem em seus livros o “Dilema da Inovação” e “Liderança e Disrupção” trata desse tema com muita maestria. Para ele, deveríamos separar os ambientes de inovações mais disruptivas e de forma incremental. Até porque as inovações mais transformacionais podem gerar a eliminação de produtos, processos e serviços que são atuais geradores de receita em sua empresa.

Clayton também define uma inovação de ruptura como aquela que transforma um produto que historicamente era tão caro e complexo, que só uma pequena parte da população podia ter e usar, em algo tão acessível e simples, que uma parcela bem maior da população agora pode ter e usar.

As organizações mais tradicionais, via de regra, estabelecem padrões que engessam seu funcionamento e tornam todo o processo de inovação de ruptura difícil de acontecer, permitindo que empresas menores desenvolvam essas inovações e sobreponham o domínio dessas empresas.

2 – Crie uma estratégia para que a sua empresa possa ser ambidestra

Se a inovação disruptiva precisa ser “protegida” do sistema imunológico atual de sua empresa, então precisamos criar estruturas, inicialmente, independentes para darmos os primeiros passos. Também precisamos agregar ao atual roll de competências tecnologias disruptivas e novos modelos de negócio. Além, é claro, de preparar toda a cultura interna para saber lidar com esse sistema ambidestro, conforme apresentamos no artigo #03

Uma forma de iniciar essa “ambidestria” é permitir a criação de pequenas células de inovação separadas do processo formal de inovação. Desafiá-las a conectar-se a soluções externas relacionadas aos desafios iniciais priorizados. Você, por exemplo, poderia definir alguns processos periféricos ao core business para iniciar. Lembre-se que esse ambiente servirá para testarmos novas formas de trabalho, incorporarmos novas tecnologias e soluções de mercado, atuarmos com metodologias ágeis e criarmos redes de cooperação e colaboração. Na medida que os primeiros resultados forem surgindo, comece a dar visibilidade a essas células e seus respectivos resultados.

Minha experiência demonstra que esse tipo de abordagem, se bem desenhado e implementado, traz resultados rápidos e importantes para o processo interno de convencimento da mudança. Depois se transforma em um processo viral que vai avançando dos processos periféricos até chegar no core business.

3 – Negocie com o status quo formas de ampliar a inovação para todos

Charlene Li em seu livro “Mindset da Disrupção” salienta que a inovação transformacional é muito difícil de ocorrer, justamente porque abala o status quo e altera as relações de poder existentes. Exige que não nos acomodemos com o presente já estruturado e, em vez disso, aceitemos o compromisso de buscar um futuro radicalmente diferente e melhor.

Uma forma bastante fácil de avaliar essa evolução de sua organização é quando, ao falar de inovação, deixamos de ter nome e sobrenome de pessoas e/ou áreas. Que todos, apesar de exercerem distintos papéis em sua empresa, sintam-se desafiados e estejam cientes de que são protagonistas dessa inovação. Seja ela de impacto incremental, disruptiva ou ambas as coisas. Costumo dizer que, quando isso ocorre, uma importante etapa de sua jornada de transformação da cultura é finalizada!

Ressignificar significa alterar a forma como continuaremos inovando

Enfim, ressignificar e democratizar a inovação em 100% da empresa, exige a definição de estratégias claras, que primeiramente preparem o sistema imunológico da organização a reconhecer essas novas iniciativas e células mais disruptivas não como uma ameaça, e sim como um novo anticorpo. Em um segundo momento, que desconstrua a ideia de que isso pertence a determinada área e/ou pessoas de sua estrutura. A inovação é para todos! Não tem nome, sobrenome, área ou departamento. Por fim, que compreenda-se que essa inovação dependerá muito dos ecossistemas internos e externos de colaboração. Sistemas esses, que organizem-se e trabalhem em estruturas mais horizontais ou mesmo em redes.

No próximo artigo, falaremos sobre dois atores fundamentais para derrubar muros internos e, assim, construirmos pontes entre esses dois mundos: intra-empreendedores e líderes! Sem eles, será muito difícil colocar essa estratégia em prática. O bom é que eu posso adiantar para vocês que a maioria deles já estão em sua organização. Até lá!

Se você gostou, entre no canal Reflexões e Conexões no YouTube (link abaixo) e assista a um vídeo com dicas e informações complementares sobre este artigo da série!

Livros citados neste artigo:

Série Especial - Como realizar a transformação digital em organizações tradicionais?

Com foco nesse tema, convido a todos para acompanhar essa série de 10 artigos autorais, que poderão servir de apoio e alento a você, que quer ajudar ou até mesmo liderar essa mudança em sua organização. A ideia é compartilhar experiências e instigar discussões sobre esse assunto tão presente. Lembrando que não existe uma única verdade, tampouco, certo ou errado nessa jornada. Existem apenas coisas que estão funcionando melhor ou pior nesse novo contexto. Seriam alguns fragmentos de um possível “como” iniciar essa jornada de transformação, explorando algumas peças desse quebra cabeça. Porém, cada um deverá identificar quais peças possui, ou não, para montar o seu!

Sobre o autor:

Daniel M. Ely é CTO - Chief Transformation Officer das Empresas Randon. Conceito novo nos mercados nacional e internacional, o profissional é responsável por liderar o processo de transformação da empresa, acelerando a mudança da cultura organizacional, a partir de uma nova mentalidade de atuação e postura das equipes, além de impulsionar a adoção de novas e mais inovadoras tecnologias que apoiem essa transformação. Daniel M. Ely é mestre em Estratégias Organizacionais e possui especialização pela Universidade de Kellogg e Singularity. Em âmbito estadual, é coordenador do CITEC – Conselho de Inovação e Tecnologia da FIERGS e membro do Conselho Consultivo do Inova RS. Além disso, é um dos idealizadores e atual presidente do Instituto Hélice - Inovação Colaborativa e do Instituto UniTEA – Unidos pelo Autismo.

Edição e revisão: Raquel Ely

 

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