Banner Interna Artigo
Artigos Daniel M. Ely

Uma mudança que se inicia pela cultura!

#03 – Uma mudança que se inicia pela cultura, de dentro para fora!

Uma mudança que se inicia pela cultura!
Transformação Inovação Organizações Mindset Liderança Carreira Digital Estratégia 26.10.2020

Colocar as pessoas no centro de toda a transformação, também requer novas estratégias de como fazê-lo. Neste terceiro artigo, vou explorar 3 fatores que considero importantes no processo de mudança interna. O primeiro deles: por onde começar a sensibilização para a transformação? O segundo está relacionado ao como materializar essa transformação no dia-a-dia. E o terceiro, sobre a eliminação do culto à hierarquia para a criação de uma cultura ágil.

Transformação cultural e digital

Tudo começa pelas pessoas, pela transformação de traços da cultura que são resultantes dos comportamentos individuais e coletivos. Sendo assim, a transformação digital é, antes de tudo, uma transformação cultural. Um movimento que se inicia de dentro para fora! A partir dessa evolução interna, a empresa estará apta a se beneficiar de todas as conexões externas possíveis. E, assim, será capaz de influenciar e atender a todas as partes interessadas externas à organização, o que apresentamos no artigo #02 dessa série.

1 – Inicie por algo que ninguém questiona em sua empresa: os valores organizacionais

As organizações mais tradicionais possuem uma história de sucesso que as trouxeram até aqui. Iniciar esse processo de transformação identificando e valorizando os princípios e valores que nortearam essa jornada é um excelente ponto de partida! Via de regra, eles incorporam doses relevantes de ousadia, empreendedorismo, inovação e capacidade de se transformar, correto? O que muda a partir de agora é a forma como tudo isso deve ser reorganizado em um contexto no qual o que acontecia ao longo de um século agora acontece em menos de uma década, se não em menos tempo.

Com o apoio da área de pessoas e cultura de sua empresa, sugiro que cada organização busque identificar os atuais traços da cultura que reforçam e conversam com esse novo contexto. E quais precisam passar por uma revisão para não se transformarem em uma força restritiva à mudança. Trago aqui um exemplo prático: se as pessoas de sua organização possuem receio ou medo de ousarem para não errarem em função de cobranças posteriores, será muito difícil ressignificar o processo de inovação, que detalharei no próximo artigo dessa série. Se a estrutura de sua organização é ainda muito vertical e hierárquica, dificilmente permitirá uma conexão maior entre as áreas internas, bem como, com o ambiente externo.

Depois de identificar o que precisa ser reforçado dos traços culturais já existentes e o que precisará ser alterado, é hora de elaborar um passo a passo do processo processo de transformação cultural.

2 – Trabalhe em mudanças de sistemas, de comportamentos e de símbolos/rituais

Carolyn Taylor, em seu livro “Walking the Talk”, nos ensina que qualquer transformação interna de traços de cultura exige mudanças em três pilares. Primeiramente, a proposição de novos sistemas e processos internos que valorizem o que queremos reforçar ou instituam novas práticas para o que precisamos mudar. Em paralelo à mudança de comportamentos dos indivíduos e a forma de relação entre eles. Por fim, a mudança de rituais internos que irão simbolizar e comunicar a organização sobre o caminho que estamos escolhendo seguir a partir desse momento.

Para que a sua empresa comece a trabalhar as mudanças de processos internos, precisará, antes de mais nada, da mudança do seu próprio comportamento! Aqui se explica o ciclo, às vezes vicioso, que se cria e não permite que os primeiros passos sejam dados. Falaremos muito sobre isso no artigo #07 dessa série. Por hora, é importante reforçar que aqui existirá um processo 50/50. A organização deverá fazer os seus 50% e liderar mudanças estruturais para permitir essa evolução, porém ela precisará dos 50% que se referem a sua mudança, ou seja, os seus 50% para romper e se desapegar dos modelos de gestão do século passado, que já não são mais suficientes para estruturarem essa mudança.

3 – Reduza drasticamente o culto à hierarquia se quiseres criar uma cultura ágil!

A transição da estrutura organizacional para um design que cultue menos a hierarquia, egos e vaidades será fundamental para a criação de culturas ágeis e que se adaptem mais facilmente a esse ritmo de mudanças. O professor John Hagel,  que escreveu “The Power of Pull" salienta que a transformação não é um processo racional, e sim um processo político, no qual você deverá ser capaz de articular e orquestrar diversas mudanças que irão impactar diretamente o status quo da companhia. Para isso, precisará identificar e neutralizar os “inimigos da mudança” e dar mais espaço e força para os “gestores da mudança”. E, sempre que possível, postergar e administrar o confronto entre ambos.

Com certeza os primeiros sistemas a serem revisitados serão os relacionados ao design organizacional e à avaliação do desempenho de seus líderes. Precisamos criar e valorizar competências de lideranças que permitam a criação de ambientes que reduzam o medo do erro e que levem a uma maior colaboração entre áreas e departamentos internos. Além disso, que sejam capazes de permitir um maior protagonismo das pessoas de sua empresa para tomarem decisões diferentes e não ficarem tão arraigadas aos modelos de gestão do passado.

Sendo esse um processo interno de transformação de diversos elementos, que estão enraizados na história da organização, minha dica é: não demore para iniciar! Nunca terás 100% de certeza sobre o caminho a ser percorrido, mas o importante é começar e avançar. Tentar e corrigir a rota se não der certo! Jornadas de transformação de cultura não acontecem do dia para a noite. Ao contrário, costumam levar tempo para começarem a gerar mudanças significativas, principalmente em organizações mais tradicionais.

Portfólio de estratégias para você testar internamente

Pensando nisso, todos os próximos 5 artigos serão dedicados a explorarmos alguns conceitos, teorias e estratégias que você deveria implementar internamente.

No artigo #04 falaremos de como ressignificar e democratizar a inovação para 100% dos membros de sua empresa. Um processo que cada vez mais precisará ocorrer de forma coletiva e não individual. E que necessitará de competências de diversas partes da organização, assim como, de estruturas externas a ela, sendo conduzido  sob uma lógica de abundância e não de escassez.

No artigo #05 iremos explorar os pontos essenciais para resgatar a essência da liderança. Transformar nossos gestores em verdadeiros líderes. Isso será essencial para o sucesso de todas as demais iniciativas. Este artigo irá trazer importantes inputs para de autodesenvolvimento.

No artigo #06 retornarei ao ponto do comando e controle. Aprofundaremos algumas estratégias de como substituir modelos de comando e controle por outros que criem e inspirem “movimentos” dentro de sua organização. Segundo Charlene Li, em seu livro “Mindset de Disrupção”, essa é a parte mais difícil para orientar uma estratégia de crescimento disruptivo, ou seja, como criar uma estrutura capaz de orientar e inspirar um movimento dentro da empresa e deixá-lo caminhar sozinho.

No artigo #07 falaremos de algumas estratégias para acelerarmos o nosso processo individual de desenvolvimento e adequação a toda essa nova realidade. Na minha opinião, será um dos artigos que mais ajudará você a compreender como destravar a sua mudança, que competências essa nova liderança não poderá mais negociar e quais deverá assumir em seus comportamentos diários.

No artigo #08 vamos dar luz a outras 4 estratégias para você acelerar a transformação digital de sua organização. Entre elas, está a conexão com startups e o processo de inovação aberta. Seria uma espécie de “modo avançado”. Algumas estratégias mais complexas de serem implementadas, mas com um potencial de impacto muito grande em todos os outros temas já mencionados.

Se você gostou, entre no canal Reflexões e Conexões no YouTube (link abaixo) e assista a um vídeo com dicas e informações complementares sobre este artigo da série!

 

Livros citados neste artigo:

Série Especial - Como realizar a transformação digital em organizações tradicionais?

Com foco nesse tema, convido a todos para acompanhar essa série de 10 artigos autorais, que poderão servir de apoio e alento a você, que quer ajudar ou até mesmo liderar essa mudança em sua organização. A ideia é compartilhar experiências e instigar discussões sobre esse assunto tão presente. Lembrando que não existe uma única verdade, tampouco, certo ou errado nessa jornada. Existem apenas coisas que estão funcionando melhor ou pior nesse novo contexto. Seriam alguns fragmentos de um possível “como” iniciar essa jornada de transformação, explorando algumas peças desse quebra cabeça. Porém, cada um deverá identificar quais peças possui, ou não, para montar o seu!

Sobre o autor:

Daniel M. Ely é CTO - Chief Transformation Officer das Empresas Randon. Conceito novo nos mercados nacional e internacional, o profissional é responsável por liderar o processo de transformação da empresa, acelerando a mudança da cultura organizacional, a partir de uma nova mentalidade de atuação e postura das equipes, além de impulsionar a adoção de novas e mais inovadoras tecnologias que apoiem essa transformação. Daniel M. Ely é mestre em Estratégias Organizacionais e possui especialização pela Universidade de Kellogg e Singularity. Em âmbito estadual, é coordenador do CITEC – Conselho de Inovação e Tecnologia da FIERGS e membro do Conselho Consultivo do Inova RS. Além disso, é um dos idealizadores e atual presidente do Instituto Hélice - Inovação Colaborativa e do Instituto UniTEA – Unidos pelo Autismo.

Edição e revisão: Raquel Ely

 

Voltar

Fique por dentro dos nossos artigos