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Acelerar a transformação de fora para dentro!

#09 – Chegou a hora de acelerar a transformação de fora para dentro!

Acelerar a transformação de fora para dentro!
Transformação Inovação Organizações Mindset Liderança Carreira Digital Estratégia 29.05.2021

Até agora exploramos muito a questão da transformação através das pessoas, da cultura. De dentro para fora. De transformar empresas tradicionais e analógicas para que possam posicionar seus serviços e processos de forma mais digital. Porém, em muitas situações isso permite apenas a digitalização de processos analógicos. Criar novos negócios já 100% digitais desde o planejamento é o último e mais difícil estágio dessa evolução.

Permita que os novos modelos de negócio já nasçam 100% digitais

A boa notícia é que podemos também acelerar esse último estágio começando por ele próprio. De fora para dentro de sua organização. Explorando a criação de novos modelos de negócio que já nasçam digitais. Para isso, ainda precisaremos trabalhar alguns pilares não tão explorados nos artigos anteriores e que serão fundamentais para sustentar essa via complementar. Primeiramente, a criação de uma arquitetura de tecnologia que suporte essas novas iniciativas. Na sequência, a definição de uma estratégia para a aquisição de competências ainda não disponíveis no repertório atual da organização. Seguido da criação de alianças estratégicas que permitam acelerar o lançamento no mercado de soluções, serviços ou produtos que já nasçam pensadamente digitais. Por fim, que as mesmas já venham com uma “tecnologia” embarcada em sinais e tendências de um futuro não tão próximo.

1 – Estabeleça uma arquitetura de tecnologia que suporte as suas novas iniciativas

Quando decidimos adotar uma estratégia mais ousada no intuito de acelerar o processo de transformação de sua organização de fora para dentro, precisamos antes, nos certificar de que algumas situações básicas de arquitetura e tecnologia já estejam disponíveis.  Uma recente pesquisa da Mckinsey sobre o grau de maturidade digital das organizações brasileiras e mundiais, aponta que apenas 26% das empresas já implementaram a automação para a maioria dos processos e transformaram seus principais processos operacionais nos últimos 5 anos. São capacidades que integram esse roll: estratégia e arquitetura de TI, plataforma de dados, infraestrutura de nuvem e a instalação de sistemas de segurança dos dados.

Imagine você e a sua empresa diante de oportunidades de conectar soluções mais transformacionais e disruptivas existentes no mercado, porém as suas “tomadas internas”, sistemas de TI e segurança sejam ainda 100% tradicionais ou analógicas. Não existe outra forma que não seja investir, minimamente, para que as tecnologias e infraestrutura interna possam ao menos se comunicarem com esse novo contexto. Caso contrário, novas alianças que sejam criadas para acelerar a colocação de produtos e soluções inteligentes no mercado serão inúteis.

2 – Defina uma estratégia para acelerar a aquisição de competências ainda não disponíveis

Outras disciplinas e competências serão importantes para você acelerar o processo de acoplar soluções e serviços já disponíveis no mercado e que irão fazer parte dessa força de mudança de fora para dentro. Algumas, provavelmente, já estejam inclusive sendo incubadas ou fortalecidas no processo de transformação de cultura de sua organização. Entretanto, ainda não estão maduras o suficiente para “conversarem” com as soluções externas. A possibilidade de realizar essas conexões externas irá, com certeza, acelerar a maturidade digital de sua organização.

As metodologias de entrega e cultura ágeis são um exemplo. Quando sua organização se conecta a organizações já nascidas na era digital é muito comum que a velocidade e agilidade com que elas trabalham não se conectem ainda ao seu momento de cultura. Por esse motivo, organizações tradicionais vêm utilizando a estratégia de conexão com startups para acelerar a mudança de sua cultura interna. Essa é uma estratégia bastante útil e inteligente para acelerar a remoção de barreiras internas e resistências ao processo de mudança. Em um primeiro momento, talvez seja necessária a criação de processos e mecanismos internos que funcionem como uma espécie de adaptador entre a cultura vigente e o modelo nos quais, por exemplo, as startups funcionam. Adicione a tudo isso um apetite maior ao risco, níveis de colaboração interna superiores aos existentes e o foco na experiência do cliente e design.

3 – Crie alianças estratégicas

Uma estratégia muito utilizada é a criação de um ecossistema que vai muito além dos quatro muros de sua organização. A criação de uma plataforma de parcerias que acelerem a colaboração e o processo de inovação transformativa. Estamos sim falando de uma plataforma de inovação aberta que possibilite a você compartilhar os seus desafios com todos os empreendedores e statups que estejam fora, em um primeiro momento, do alcance de sua organização. Essas parcerias conectarão profissionais externos de análise de dados e digital, que estão na vanguarda da inovação e podem ser tradutores qualificados que irão aprimorar os processos na sua empresa.

Essas alianças e parcerias também irão proporcionar um melhor entendimento das mudanças nas necessidades e expectativas dos seus clientes. De alguma forma essas parcerias já estão conectadas de forma muito mais intensa em alguma parte da sua cadeia de valor e podem lhe ajudar a reduzir o oferecimento de novas soluções, serviços ou produtos que o seu cliente já esteja desejando. Importante que essas alianças, parcerias e aquisições de participação de statups e outras empresas devam acontecer em uma lógica de abundância e não mais de escassez. Que o mais importante seja a criação de uma capacidade de atender da melhor forma possível e no menor espaço de tempo as demandas de seus clientes.

4 – Embarque tecnologias, sinais e tendências de um futuro não tão próximo.

A velocidade com que as novas tecnologias evoluem e são convergentes entre si, somada à forma como os hábitos e comportamentos de consumo se transformam, provocam a necessidade de que qualquer nova solução, serviço ou produto já sejam pensadas e nasçam com tecnologias embarcadas que traduzam alguns dos sinais e fragmentos de futuros possíveis. Isso exige ampliarmos a nossa visão tradicional de planejamento estratégico e a nossa visão de mundo e futuros possíveis para um horizonte superior aos tradicionais 3 a 5 anos.

Trabalharemos, cada vez mais, com um grupo menor de projetos e iniciativas no curto prazo, mas que tragam consigo parte dessas tecnologias e futuros possíveis. Se não for assim, correm o risco de já nascerem obsoletas. Precisamos entender que esse tipo de ação requer a soma de diferentes formas de pensar e ver o mundo, de pensar e compreender os comportamentos futuros de seus clientes, de se conectar e priorizar quais dessas tecnologias já fazem sentido e podem ser lançadas ao mercado. Enfim, exige a soma de muitas visões e perspectivas de mundo, da soma de partes e não mais de uma ação isolada ou pontual. Acredite, colaboração, trabalho em rede, novos tipos de parcerias e alianças estratégicas, multidisciplinaridade de competências e uma nova forma de pensar, agir e se organizar não sairão mais das nossas prioridades diárias.

Estratégia Digital

Esses quatro itens são alguns dos elementos que compõem o que venho chamando de “estratégia digital”. Em organizações tradicionais essa estratégia digital pode até ser segregada dos tradicionais planos estratégicos de 3 a 5 anos em um primeiro momento. Mas, com o tempo, deverão compor a estratégia de crescimento e sustentabilidade de sua organização como um todo para garantir, como falamos anteriormente, que novas soluções, serviços e produtos não cheguem ao seu mercado já defasados!

Se você gostou, entre no canal Reflexões e Conexões no YouTube (link abaixo) e assista a um vídeo com dicas e informações complementares sobre este artigo da série!

 

Série Especial - Como realizar a transformação digital em organizações tradicionais?

Com foco nesse tema, convido a todos para acompanhar essa série de 10 artigos autorais, que poderão servir de apoio e alento a você, que quer ajudar ou até mesmo liderar essa mudança em sua organização. A ideia é compartilhar experiências e instigar discussões sobre esse assunto tão presente. Lembrando que não existe uma única verdade, tampouco, certo ou errado nessa jornada. Existem apenas coisas que estão funcionando melhor ou pior nesse novo contexto. Seriam alguns fragmentos de um possível “como” iniciar essa jornada de transformação, explorando algumas peças desse quebra cabeça. Porém, cada um deverá identificar quais peças possui, ou não, para montar o seu!

Sobre o autor:

Daniel M. Ely é CTO - Chief Transformation Officer das Empresas Randon. Conceito novo nos mercados nacional e internacional, o profissional é responsável por liderar o processo de transformação da empresa, acelerando a mudança da cultura organizacional, a partir de uma nova mentalidade de atuação e postura das equipes, além de impulsionar a adoção de novas e mais inovadoras tecnologias que apoiem essa transformação. Daniel M. Ely é mestre em Estratégias Organizacionais e possui especialização pela Universidade de Kellogg e Singularity. Em âmbito estadual, é coordenador do CITEC – Conselho de Inovação e Tecnologia da FIERGS e membro do Conselho Consultivo do Inova RS. Além disso, é um dos idealizadores e atual presidente do Instituto Hélice - Inovação Colaborativa e do Instituto UniTEA – Unidos pelo Autismo.

Edição e revisão: Raquel Ely

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