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Chegou a hora de você mudar!

#07 – Pare de olhar para os outros, chegou a hora de você mudar!

Chegou a hora de você mudar!
Transformação Inovação Organizações Mindset Liderança Carreira Digital Estratégia 18.01.2021

Você já se deparou com pessoas que querem promover mudanças sem mudar? Por mais contraditório que pareça, essa é uma realidade bastante comum no mundo organizacional. Várias são as pessoas que já compreenderam que precisam adotar novos comportamentos e atitudes em seu dia-a-dia, mas por algum motivo ficam paralisadas e não conseguem dar os próximos passos. Como se estivessem anestesiadas e aguardando que alguém o fizesse por elas. Você, em algum momento de sua carreira, já se sentiu assim? Então, é para você mesmo que eu escrevo esse sétimo artigo dessa série especial. Para você, que já entendeu que precisa ser o protagonista de sua própria reinvenção pessoal, pois somente assim, conseguirá influenciar e impactar na transformação cultural e digital de sua organização.

A ansiedade é diretamente proporcional ao grau de incerteza

Obviamente, sua ansiedade é a mesma de muitos, diante das inúmeras incertezas e contradições presentes no seu dia-a-dia. Mesmo assim, essa transformação começa por você! Primeiramente, pela sua compreensão do que mudar e da razão de se reinventar e qual a necessidade de fazê-lo. Em um segundo momento, a percepção de quais são as formas, caminhos e estratégias que lhe permitirão realizar essa jornada de forma efetiva.

Para que qualquer processo de mudança tenha êxito, devemos compreender quais serão os ganhos e benefícios que o mesmo nos trará em relação ao status quo. A dificuldade é que, hoje, temos em muitas situações que nos apegarmos a um ganho que ainda não é 100% conhecido ou concreto. Por exemplo, em modelos de trabalho e gestão que ainda não estão 100% testados e talvez nunca estejam (como acontecia em um passado muito recente). Ou seja, o grau de incerteza em relação aos ganhos futuros não só continuará presente em seu dia-a-dia, como aumentará.

Dessa forma, como você pode romper com esse ciclo de ansiedade que te leva, muitas vezes, a paralisação? Minha primeira sugestão: não espere pelos outros e comece agora mesmo! Revisite os seus comportamentos em relação a cada um dos 4 tópicos abaixo. Para os mais curiosos e inquietos, adianto que, em cada um deles, você encontrará links para vários outros artigos que foram escritos previamente a esta série. Basta segui-los para aprofundar-se nos diversos temas já abordados!

1 – Percebemos o mundo a partir do que somos e vivenciamos

Em minha tese de mestrado, tive a oportunidade de aprofundar-me nesse tema pois sempre quis compreender como ocorre o processo de aprendizagem na perspectiva individual. Como avaliamos novas situações e as processamos dos pontos de vista   cognitivo e experiencial. Esse é um tema bastante denso e não pretendo entrar em maiores detalhes aqui. Se você quiser saber mais acesse o artigo “Enlace reflexivo: saiba como escapar dessa armadilha”. Lá, eu faço um breve resumo de como os modelos behaviorista, cognitivo e experiencial de aprendizagem podem acelerar ou retardar o seu processo de desenvolvimento.

O importante a destacar neste artigo é que o processo cognitivo ocorre, na maioria das vezes, de forma automática. Entretanto, entre as armadilhas do mesmo está a tendência que temos de repetir comportamentos e hábitos já existentes. Por exemplo, por que, via de regra, optamos pelo mesmo trajeto para o trabalho? Não existem outras alternativas? Por que temos dificuldades de testá-las?

Nossas crenças atuais afetam diretamente os dados que observamos em nosso dia-a-dia. Para todo e qualquer dado e/ou experiências que observamos em nosso cotidiano, o cérebro, automaticamente, adiciona sentido aos mesmos e realiza pressupostos baseados neles. Os sentidos adicionados aos dados reais e observáveis são, na verdade, fruto de nossas experiências culturais e pessoais anteriores. Novos comportamentos e oportunidades serão gerados quando você conseguir adotar novas crenças acerca do mundo a partir desse processo, e não mais apenas observar e avaliar as situações pelas crenças que já tem. Você terá que estar muito atento a esses vieses inconscientes, isso   se quiser avançar de forma mais acelerada em sua própria reinvenção.

Busque desenvolver o hábito de sempre questionar-se no intuito de perceber se determinada situação poderia ser avaliada sob outra perspectiva, ou mesmo, se poderia ser resolvida de outra forma. Se todas as pessoas que trabalham com você e/ou estão envolvidas nessa solução estão sendo ouvidas e consideradas. Faça com que a valorização da diversidade realmente comece a fazer parte do seu cotidiano!

2 – Precisamos estar 100% presentes e nos tornarmos vulneráveis em nossas certezas

Esteja presente, de fato, nesse novo contexto de mundo e do trabalho. Torne-se vulnerável. Observe ativamente. Não busque resposta, busque conexões! Cuidado para não cair na armadilha (citada anteriormente) do “enlace reflexivo”. Essas são apenas algumas dicas para que você possa se conectar ao que, hoje, já está acontecendo ao seu lado!

A questão da presença foi muito bem trabalhada pela autora Amy Cuddy em seu livro “O poder da presença”. Estar presente, atento, também significa estar aberto ao novo. Trocar as suas certezas e crenças pelas suas vulnerabilidades começa a fazer todo o sentido. Troque a necessidade de dar respostas pela de fazer perguntas. Faça uma escuta ativa!

Para que você possa dedicar um tempo verdadeiro a estar presente junto aos membros de sua equipe, principalmente na solução de problemas complexos, será preciso praticar o desapego. Isso mesmo! Desapego às atividades e/ou tarefas que não agregam mais valor ao seu desenvolvimento e ao crescimento e transformação de sua organização. Libere, minimamente, 40 a 50% do seu tempo atual para investir no que fará a diferença no processo de transformação cultural e digital de sua empresa. Não sabe como fazer isso? Continue buscando novas referências e modelos de quem já está conseguindo avançar. Isso não irá cair no seu colo!

3 – Substitua a busca por certezas pela clareza de direção

Abandone a necessidade de buscar e dar respostas a todas as situações. Se dê o direito a dúvida. Sinta-se livre para realizar perguntas exploratórias. Seja curioso e inquieto em relação aos temas de seu interesse. Busque, mais do que tudo, apenas uma “clareza de direção” a ser seguida. Porém, não se prenda 100% a ela! Seja flexível e maleável para revisá-la. Mas, não deixe de criá-la, pois isso será muito importante para promover um ambiente de segurança psicológica para todos os membros de sua equipe ou projeto!

Sei que muitos podem estar pensando, nesse momento, que muitas de nossas organizações não valorizam esse tipo de comportamento e atitude. Porém, se esse for o seu caso, esqueça a Empresa por hora. Faça isso por você! Crie uma direção e convicção em relação aonde você quer chegar. Mesmo que a maior parte das respostas, dos modelos, dos processos e das competências ainda não existam ou estejam organizadas para isso!

Charles Galunic em seu livro: “Backstage Leadership: The Invisible Work of Highly Effective Leaders” (ainda sem tradução oficial para o português), cita que todo o líder deveria realizar e cultivar um trabalho invisível e silencioso que proporcionasse: 1 – segurança e sentido às pessoas; 2 – saber como construir e firmar compromissos que movam as pessoas em novas direções necessárias; 3 – lidar com as contradições e paradoxos do mundo atual.

No artigo anterior desta série, explorei bastante a questão da competência de influenciar e inspirar movimentos. Isso está intimamente relacionado aos itens 1 e 2 propostos por Charles Galunic. Já no artigo 4, falei sobre a estratégia de “ambidestria” como sendo a melhor forma para lidar com as contradições cotidianas, como: hierarquia x agilidade; pensar no longo prazo x resultados do trimestre; organizações centralizadas x descentralizadas; assim como tantos outros.

4 – Aproveite cada novo ciclo de inovação e transformação que lhe é oferecido

Agora que você já entendeu tudo isso, basta aproveitar cada uma das oportunidades de conexão com o novo que lhe é oferecido a todo o momento e criar novos ciclos de transformação e inovação. Dentro e fora de sua organização. Não tenho como finalizar este artigo sem, novamente, compartilhar uma figura autoral, que inseri no artigo: Você já foi disruptivo hoje?

 

Aprender a desaprender, reaprender e compartilhar serão essenciais em sua jornada de transformação. Porém, lembre-se de que isso apenas será possível se você for flexível em sua experiência, possibilitando conectar-se as novas situações de contexto.

Não espere pelos outros

Enfim, considerando os quatro itens acima, em sua reflexão fica evidente que chegou a hora de você mudar? Então, não espere pelos outros ou pela sua empresa!  A questão central de sair de um estado de paralisia e ameaça, para outro de protagonismo e oportunidade, só depende da forma como você irá jogar esse jogo a partir de agora! Ao longo do artigo, falamos de algumas estratégias para acelerarmos o seu processo individual de desenvolvimento e adequação a toda essa nova realidade. Espero, assim, ter contribuído com seu processo de mudança e com o entendimento de quais competências você não poderá mais negociar e deverá integrar aos seus comportamentos diários a partir de agora!

 

Se você gostou, entre no canal Reflexões e Conexões no YouTube (link abaixo) e assista a um vídeo com dicas e informações complementares sobre este artigo da série!

 

Livros citados neste artigo:

 

Série Especial - Como realizar a transformação digital em organizações tradicionais?

Com foco nesse tema, convido a todos para acompanhar essa série de 10 artigos autorais, que poderão servir de apoio e alento a você, que quer ajudar ou até mesmo liderar essa mudança em sua organização. A ideia é compartilhar experiências e instigar discussões sobre esse assunto tão presente. Lembrando que não existe uma única verdade, tampouco, certo ou errado nessa jornada. Existem apenas coisas que estão funcionando melhor ou pior nesse novo contexto. Seriam alguns fragmentos de um possível “como” iniciar essa jornada de transformação, explorando algumas peças desse quebra cabeça. Porém, cada um deverá identificar quais peças possui, ou não, para montar o seu!

Sobre o autor:

Daniel M. Ely é CTO - Chief Transformation Officer das Empresas Randon. Conceito novo nos mercados nacional e internacional, o profissional é responsável por liderar o processo de transformação da empresa, acelerando a mudança da cultura organizacional, a partir de uma nova mentalidade de atuação e postura das equipes, além de impulsionar a adoção de novas e mais inovadoras tecnologias que apoiem essa transformação. Daniel M. Ely é mestre em Estratégias Organizacionais e possui especialização pela Universidade de Kellogg e Singularity. Em âmbito estadual, é coordenador do CITEC – Conselho de Inovação e Tecnologia da FIERGS e membro do Conselho Consultivo do Inova RS. Além disso, é um dos idealizadores e atual presidente do Instituto Hélice - Inovação Colaborativa e do Instituto UniTEA – Unidos pelo Autismo.

Edição e revisão: Raquel Ely

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